| Descobrir a Nova Música de Cabo Verde Por Tiago Luz Pedro - Segunda, 20 de Janeiro, 2003 "Ayan" é o título da compilação que revela quatro novos músicos apostados em renovar a música do arquipélago Quando se fala de música em Cabo Verde fala-se quase sempre de tradição, como se uma não vivesse sem a outra e nada mais existisse para além delas. Mas a compilação que dá a volta ao texto a revela que é na vontade de inovar e renovar que pode estar o futuro da música do arquipélago. |
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"Ayan" é o título da compilação que revela quatro novos músicos apostados em renovar a música do arquipélago Quando se fala de música em Cabo Verde fala-se quase sempre de tradição, como se uma não vivesse sem a outra e nada mais existisse para além delas. Mas a compilação que dá a volta ao texto a revela que é na vontade de inovar e renovar que pode estar o futuro da música do arquipélago. "Ayan - New Music From Cabo Verde", assim se chama o disco, apresenta quatro novos nomes da ilha de Santiago, três com presença confirmada no clube lisboeta: os Djingo, banda de jovens músicos liderados por Dany, uma das vozes revelação de Cabo Verde; Vadú, um trovador cuja voz suave e melodias simples têm encantado os palcos da Praia; e Princezito, irmão de Mário Lúcio, dos Simentera, e um dos músicos que há mais tempo tem vindo a experimentar com os ritmos tradicionais de Santiago. O quarto é Tcheka, cujas composições fortemente ritmadas dão novos sentidos ao "batuco", um género oriundo das comunidades agrícolas e piscatórias de Santiago tradicionalmente tocado e cantado por mulheres, em cujas tradições todos eles se inspiram. Foram descobertos por Miguel Gomes da Costa nas várias viagens que este produtor de Edgar Pêra e co-fundador da Akademia Luso-Galatika fez nos últimos anos a Cabo Verde, onde produziu uma série de eventos a convite do Ministério da Cultura local. "Em Cabo Verde há todo aquele lado da música mais tradicional das mornas e das coladeiras, com origem sobretudo em São Vicente, bastante divulgado por Cesária Évora, Bana ou Tito Paris. Mas São Vicente hoje é paisagem, é uma ilha que vive do passado e do Festival da Baía das Gatas, e que ulturalmente está morta", diz Miguel Gomes da Costa, também produtor executivo de "Ayan". Foi na ilha de Santiago, em particular na Praia, "o verdadeiro motor cultural do país", que Miguel Gomes da Costa sentiu que "estava qualquer coisa a acontecer": "Reparei que existia um movimento formado por uma nova geração de artistas a fazer grande música que nunca tinha sido gravada, com uma raiz popular muito forte baseada nas tradições da ilha de Santiago, mas com novos instrumentos e com outras influências [parte dos músicos presentes na compilação estudaram em Cuba e no Brasil]. Apostámos em quatro e gravámos o 'Ayan'". Decisiva na génese de todo este movimento foi a influência de Orlando Pantera, o primeiro dos renovadores do "batuco" com quem a maioria dos músicos de "Ayan" trabalhou antes do seu desaparecimento, em 2001. "Ayan" - que significa "sim" em crioulo de Santiago - é o primeiro lançamento da Praia Records, editora que Miguel Gomes da Costa fundou entretanto em Cabo Verde e cujo plano de lançamentos prevê a edição, até final do ano, dos álbuns de estreia a solo dos Djingo, Princezito e Vadú. |
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